Uma Noite em Curitiba – Cristovão Tezza

Inicio aqui os posts de preparação para a nova etapa do ciclo Autores e Idéias que aqui em Pato Branco vai ter mediação minha (dia do evento: 29/09/2010 as 20:00 hrs)e a presença dos ilustres Daniel Piza e Cristovão Tezza. Pra comecar preparei alguns posts falando de alguns livros do escritor paranaense (Disponiveis na biblioteca do SESC Pato Branco). O primeiro é o do título do post.

capa do livro

“Uma noite em Curitiba” não é uma história de amor. Certamente que apresenta todos os elementos que nos levam a julgá-la como tal. Os protagonistas apaixonados, as juras e cartas de amor, fugas na calada da madrugada, a superação de todos os obstáculos para a realização do ideal romântico, a doce, feliz anulação do ego do apaixonado em favor do outro….

Mas tudo isto se dá em uma narrativa poderosa sobre o poder do passado, a capacidade com que acontecimentos da juventude podem assombrar uma vida inteira.

O professor Frederico Rennon, pai de dois filhos (ele, viciado em recuperação, inteligente mas perdido, ela sumida de casa aos dezesseis anos), respeitadíssimo como professor (“O meu pai é um homem que passou cinqüenta anos polindo a própria estatua, caprichoso nos detalhes do bronze” entrega o filho logo no inicio do livro), está organizando um ciclo de palestras e debates sobre cinema e literatura no Brasil. Uma das atrações do ciclo é a atriz de cinema, teatro (comédias de situação) e novelas Sara Donovan.

Frederico, o respeitado historiador, puro método e elegância e Sara a linda, porém frívola, volúvel e esotérica atriz compartilharam juntos de um momento tenso no passado, uma noite que Frederico jamais superou e que retorna para assombrar o professor no momento em que ele reencontra Sara.

Obcecado, o professor inicia uma série de cartas, e não sabemos se todas foram entregues – muito provavelmente não – onde reflete sobre o amor, a vida que construiu à deriva, procurando esquecer o crime que cometeu e o primeiro encontro com Sara, naquela época ainda Maria. Uma espécie de cartografia do passado e é esta a exata comparação em certo momento do livro quando Frederico diz que o que escreve são cartas em seu sentido mais bonito – mapas.

Mas os mapas das recordações do professor são habitados em seus vazios pelos monstros dos sentimentos e o conduzem por caminhos perigosos, interpretando indicações confusas, em sua crescente loucura.

Outra força do livro, que se estrutura nas próprias cartas, intercaladas por comentários do filho, ele mesmo tentando desvendar a história do pai, é o choque dos pontos de vista que resultam daí, a visão do filho sobre o pai ausente que revela detalhes surpreendentes nas cartas.

A obra cresce em tensão conduzida pela linguagem hábil que engrandece a narrativa, nosso professor navega pelo passado, tragado pelo redemoinho em que sua estrela negra orbita e é chave, um redemoinho do qual fugiu sua vida inteira, mas agora se joga, arrebatado.

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