Vinicius de Moraes – Cem anos do poeta da paixão

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Para Antonio Cândido, Vinicius de Moraes é um dos raros poetas que fazem a poesia dizer mais coisas do que ela dizia antes. As contribuições do poeta para poesia brasileira foram tantas e tamanhas que o que ele fez de novo entrou para a circulação e hoje encontra-se impregnada na linguagem de todos.

 

A ligação entre o mar, a praia e o amor, o ‘casto impudor’ da sua poesia, a forma com que sua escrita vai transformando-se em algo “em suspenso” entre verso e prosa são todas inovações trazidas por Vinicius de Moraes à poesia brasileira.

 

Não só por essas inovações, mas Vinicius ainda seria um escritor ponte entre o modernismo e a geração de 45, que empreendeu uma viagem nostálgica à poesia de outrora. E é desta fratura, do resgate das formas poéticas exoneradas pela semana de 22 e da construção de uma poética fundada no coloquial que sua geração buscava, que Vinicius consolida-se, na opinião de Eduardo Portela, como último grande literato da poesia brasileira  

 

Outra aparente contradição em Vinicius de Moraes é o fato de que ainda que não se possa situá-lo entre os maiores poetas brasileiros do século – Bandeira, Drummond, Jorge de Lima, Dante Milano e João Cabral de Melo Neto – Vinicius “Será sempre, e acima de tudo, o poeta do amor e da morte. E talvez por isso mesmo seja ele o poeta mais emblemático de sua época.”

 

Também na música, ao lado de Tom Jobim, vai inaugurar a Bossa Nova, uma revolução musical que divulgou o Brasil e sua cultura por todos os cantos do planeta. “Garota de Ipanema” segue até hoje como uma das músicas mais executadas no mundo ao lado de “Yesterday” dos Beatles e “My Way” de Frank Sinatra.

 

Segundo seu biógrafo, José Castello, Vinicius de Moraes foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor o “poetinha” (apelido dado pelo amigo Tom Jobim) deixou vasta obra e participou de mudanças importantes no ambiente cultural brasileiro.

 

O destaque em na poesia, música e cinema talvez encontre sua explicação na maneira como o “poetinha” levava a vida – casado nove vezes, o “poeta da paixão” realmente vivia o lirismo e sensualidade marcas de sua poesia – Tanto que segundo Drummond “Foi o único de nós que teve vida de poeta”.

 

Ainda assim, segundo Wilson Martins :

A popularidade do último período, no bom e no mau sentido da palavra, obliterou por completo o poeta e sua obra, concentrando o interesse e respectiva celebridade nas atividades efêmeras do espetáculo.

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